Outra vez, imperioso, te inventou (minha demência)
Amei-te como ao impossível, e te perdi para paciência
Reergui o monumento e te oportunizei a fantasia
Agonizei num lamento a metafórica ironia:
A beleza que escrevi não rimou com inteligência!
No meu amor a persistência de devotar-te a poesia
Não respondeste com mais de sílaba a epopeia da essência
Retrucaste a mim silêncio de dolorida reticência
E a minha casta esperança respondeste a boemia
Outro poema me arrancaste enquanto eu te esquecia:
Que sirva então à poesia, o que não serve à ciência
E sua foto eu embalava fúnebre
E me despedia do seu sorriso célebre
Tomando a coroa, destronava o príncipe
Com meu poeta coração ardendo em febre
Não sabia minh'alma (artista breve)
Que quando coração recria arte póstuma
Quando o presente sofre ao que o passado deve
lembrança em lágrima escapa tórrida
e mesmo o fóssil mais antigo, ao relicário serve
Então olhei outra vez a foto que jurei: não olharia!
E quase acreditei naquele dia
Que não se pode, a arte de amar, se desfazer
E que toda renascença há de ser
Tua beleza oca, fotografia
Então de novo eu te inventei (tão mais perfeito)
E tão mais oco outra vez te ouvi dizer
Não entendendo essa canção que diz meu peito
Que outra vez por todas minha rima é te esquecer
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