Hoje estou cansada do saber sedento
E dessa escola que me ensina tudo
Como que pudesse condecorar com um canudo
Quem aprendesse, porventura, um sentimento
Não quero explicação para o meu lamento
Aceito ser só uma vaidade
Mas empreste-me, então, um só momento
Um copo d'água e uma irresponsabilidade
Ou paga-me uma rodada de fermento
Leva-me para conhecer a cidade
Descansa a paixão que me pesa o lado
Teu esquerdo amor a me apanhar do chão
É água que lava o meu machucado
Contradizendo o verbo do meu próprio bordão
Do São Francisco da Bahia
Alagar o meu Sertão
Quando vier o mar em teu lugar
E eu ficar no espelho do teu retrovisor
De outra sede sofrerei de cá
Só terei saudade adstringente
Quando não restar outra afluente
A água sem fim não terá sabor



