Como a bailarina que tira as sapatilhas no camarim
Depois do espetáculo de casa cheia
Examinando com cuidado os calos
E que apesar de tão jovem já está tão velha
É como decepar a mão do artista
Rasgar os diários
Perder a memória
A paixão é sepultada no esquecimento
Como o corpo é sepultado na morte
É a ruína de uma torre
É quando o que de mais sólido existe, cai
É quando o cheiro do perfume sai
É quando passa o efeito do vinho
Como uma música se acabando
Vai ficando baixa, sumindo
Dando lugar ao silêncio no quarto, no carro
Como um pássaro que corta o vento
Atravessa a cidade, compositor distraído
E acaba o (en)canto
E pousa
E morre
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