Todo dia, dos ventres, o mundo ganha gente
Todo dia, para os túmulos, o mundo perde gente
E eu, nem do ventre
Nem para túmulos
Também ganho gente
E perco gente
Como água escorre, escorre dia
Como escorre a vida
Ganhando gente
E perdendo a gente
Nessa roda gigante de um coração
Que falta gente e sobra gente
Que não esquece os passageiros quando chegam
Tampouco quando partem
É um trem que sofre gente
Se alegra e se enluta gente
Nasce gente
E morre gente
Todo dia
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