quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Quando Vão-se os Dedos

Quando os anéis foram embora
Já não me serviam para nada, os dedos
Eu olhava-os
E me lembrava dos anéis que foram embora

Arranquei os dedos para esquecer os anéis
Mas as mãos sem dedos
Lembravam-me dos dedos
Os dedos dos anéis que foram embora

Arranquei as mãos
E olhei o braço
Que sem as mãos me lembravam os dedos
E os dedos, os anéis que foram embora

Arranquei meus olhos
Para que não vissem meu braço

Na escuridão de não ver
eu vejo

Eu vejo o braço
E a mão
E os dedos
E tudo que já foi-se embora


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