Aos poucos sua voz fui esquecendo
E a lembrança, seus trejeitos, na memória foi gemendo
Ainda via em sua boca o seu sorriso
Mas o som já não sorria em meu ouvido
E a saudade que explodiu, ontem, em verso
Hoje reverso de saudade é sentido
Na agonia de quem vai sendo esquecido
Toda história em poema é gemido
E as canções que nos lembravam velhos tempos
No rádio novos tempos são havidos
Já que o passado é quem dita o antigo
E o esquecimento do antigo é incerto
Quão incerto é o futuro
Que esquecemos cantando esses versos
E essa é a última travessia juntos
Passar nessa faixa de pedestres
Das impossibilidades incontestes
Dos destinos solitários dos conjuntos
Como se não houvesse tido em sua vida, na verdade
Na nossa estranheza mais humana de esquecer
Quando finda a travessia, sem saudade
Já não se lembra da lua, o sol do amanhecer
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